Argentina, Chile e EUA, Os avanços e o apoio presidencial
Brasil de Dilma, o Retrocesso.
Por Marcelo Gerald
Ontem foi um dia histórico para o movimento LGBT, o dia começou com uma declaração importante do presidente americano. Obama declarou apoio ao casamento civil igualitário, mas tarde, boas notícias vieram do nosso vizinho, a Argentina, que aprovou uma das leis mais avançadas do mundo sobre igualdade de gênero e por fim o Chile aprovou no Senado a criminalização da Homofobia.
Notem que os direitos civis LGBTs estão evoluindo em todas as Américas e em vários países o apoio presidencial foi e está sendo de extrema importância, na Argentina o valor desse apoio ficou claro desde a aprovação do casamento Civil Igualitário, mas e no Brasil o que acontece? Por aqui a presidenta se nega até a discutir essas questões e quando fala apoia conservadores, com discursos de que seu governo não faz propaganda de “opções sexuais”. Dilma levanta sim bandeiras, a do conservadorismo, a a do fanatismo religioso e é a essas bandeiras que a presidenta tem servido desde o dia em que tomou posse, entretanto, não posso apontar a culpa da nossa falta de avanço somente à Dilma.
No Chile, a lei contra a homofobia que se arrastava por anos ganhou apoio de um presidente de direita e de um Congresso que demonstrou vontade política para discutir esse assunto, após o assassinato do jovem gay chileno Daniel Zamudio, já no Brasil, recordista em assassinatos, a discussão se arrasta há anos e temos um Congresso e uma presidenta omissos, que lavam as mãos e fingem que esses fatos não existem.
Sobre o PLC122 o que se evidencia dia a dia é a manobra política para que o projeto PLC122 seja definitivamente arquivado em janeiro de 2015, sem que ninguém leve a culpa.
A ABGLT já assumiu publicamente apoiar o texto da ex-Senadora Fátima Cleide e afirma não aceitar punição menor ou diferente da lei contra o racismo. Toni Reis já havia defendido a proposta em nota.
Marta Suplicy (PT-SP) declarou esperar que o seminário marcado para discutir o projeto que acontecerá no próximo dia 15 sensibilize os Senadores presentes , mas a mesma marcou esse debate no mesmo dia em que já estava agendado o 9º Seminário Nacional LGBT, que este ano será comandado pelo Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), ou seja a Senadora garantiu que o único deputado gay assumido e defensor da causa LGBT não estivesse presente. Quais as suas intenções diante disso? O PLC122 tem maiores chances com a ausência do Deputado? Fica mais uma questão.
Marta tem sua importância histórica para o movimento LGBT, mas a Senadora parece querer ocupar sozinha o lugar de representante do movimento no Congresso e para conquistar esse objetivo exclui de qualquer discussão, tanto Jean Wyllys, quanto a frente parlamentar LGBT, do qual a Senadora faz parte, mas nunca vai às reuniões. Fato como esse já estava evidente na última vez em que o PLC122 foi discutido e a Senadora apresentou projeto escrito por teocratas em conjunto com Demóstenes Torres e excluiu ativistas LGBTs do debate.
O PT foi mais longe, postou em seu site a opinião do deputado/pastor evangélico Gilmar Machado (PT-MG) que acusa o projeto de ofender a liberdade religiosa, a afirmação é mentirosa, mas acaba ganhando peso postada em site oficial do partido. A história recente do Partido do Trabalhadores se confunde a cada dia com a do crescimento do fanatismo religioso no Brasil e a mistura entre Estado e Religião. Chama a atenção também a PEC de autoria do petista Nazareno Fonteles (PT-PI), que daria poderes extras para o Legislativo suspender ações do STF e essa emenda acabou virando a grande esperança da bancada teocrática. Ideias como essa se fortaleceram após o reconhecimento da União Eatável gay pelo Supremo. Destaca-se também que o petista Gilmar Machado afirmou em plenário ser um aliado de Malafaia.
O enterro do PLC122 está a cada dia mais próximo, mas Marta Suplicy e a ABGLT tentaram algo, não é mesmo? Tivemos inúmeras audiências pra discutir esse assunto, com a presença de opiniões de pastores tolerantes e abertos à discussão, como Malafaia.
A manobra contra o PLC122 é sutil e nem todos percebem, outros fingem não perceber. Estamos num momento difícil para a militância LGBT brasileira, esses dias a segunda marcha pelo Estado Laico foi cancelada por falta de apoio e organização.
Outro ponto que coloca os representantes da causa em cheque é o casamento igualitário. Não há declarações marcantes de Marta Suplicy, ou mesmo da ABGLT apoiando a esta causa e por quê? Sei que alguns chamarão essa minha nota despretensiosa de ataque, mas deixo aqui perguntas que deveriam estar sendo feitas pelos militantes governistas, pelas pessoas próximas da ABGLT e às ligadas à Marta Suplicy, talvez eu seja ingênuo, mas em algum lugar ainda tenho esperança que o façam, que cobrem, que lutem por algo que não seja apenas estar no Poder.




