Por Karla Joyce
No início de todos os anos está se tornando comum vermos em sites e em alguns noticiários da TV tristes levantamentos que apontam o número de LGBT’s assassinados em virtude de homofobia e aquele lembrete que o PLC 122/2006 precisa ser aprovado. E, com a mesma constância, sempre ouvimos vozes que insistem em dizer que a homofobia não precisa ser criminalizada. O “argumento” é simples: diante do total de mortes ocorridas no Brasil em um ano, aquelas que foram supostamente provocadas pela dita homofobia representam uma ínfima parte desse total. Ainda há de se considerar que parte dessas mortes foi motivada por tráfico de drogas, brigas de bar, crimes passionais… o que diminuiria o montante dos assassinatos de autoria homofóbica. Portanto, seria um exagero pedir uma lei específica a um grupo (dizem que seria criar uma classe privilegiada).
Entendendo o “pensamento”:
Vou explicar melhor este argumento usando os dados de 2008, por já estarem mais consolidados que os dados recentes. De acordo com o Instituto Sangari, elaborador da publicação anual “Mapa da Violência”, 50.113 pessoas foram assassinadas no Brasil no ano em questão. No mesmo ano, o Grupo Gay da Bahia, responsável pelo também anual “Relatório de Assassinatos de Homossexuais no Brasil”, constatou que 190 LGBT’s foram assassinados em virtude de homofobia. Comparado ao total, isto representa algo em torno de 0,003% dos assassinatos no Brasil. E considerando que muitos desses crimes nem tiveram virtude homofóbica… Opa! Pelo o que se vê, não existe uma “matança” de homossexuais. Para quê uma lei só para eles e não para os heterossexuais?
Mas esperem… a mesma pesquisa do Instituto Sangari mostra que, no mesmo ano de 2008, cerca de 4010 mulheres foram assassinadas. Algo em torno de 8% das mortes. Se for considerar que são desconhecidas todas as circunstâncias em que essas mulheres foram assassinadas, então não justificaria a Lei Maria da Penha para combater a violência doméstica. O mesmo relatório aponta que jovens negros foram assassinados em uma proporção muito maior que jovens brancos. Mas, considerando que vários podem ter sido os motivos da morte desses negros, não justificaria uma lei contra o racismo se mal vemos negros sendo assassinados por isto.
O Conselho Indigenísta Missionário fez um levantamento do número de indígenas assassinados em 2008. Constatou que foram 60 vítimas. Se formos fazer um comparativo com os dados do Instituto Sangari, os indígenas mortos representam aproximadamente 0,001% do total de assassinados em 2008. Se o mesmo raciocínio for aplicado, os indígenas não merecem atenção do Governo porque seu sangue não foi derramado de forma “expressiva”; isso não quer dizer que não exista xenofobia contra eles.
Vocês que acompanham meus textos podem ter estranhado essa minha análise tosca. Mas, acreditem: esse argumento está sendo aplicado, defendido e espalhado por muita gente para desqualificar a importância do PLC 122/2006. A seguir, eu vou dar minha visão de como esse argumento é equivocado e é mais uma falácia contra o PLC 122.
Como os levantamentos são feitos?
A maior parte dos relatórios e pesquisas realizadas para apurar os crimes ocorridos no Brasil são feitos com base nos boletins de ocorrência, dados obtidos por meio da imprensa e/ou base de dados oficiais do Governo. Apesar dessa vasta possibilidade de coleta de dados, os resultados obtidos nada mais são que uma estimativa da realidade. Não é um retrato fiel porque é praticamente impossível se coletar 100% das ocorrências desses dados. O que se pode fazer, como toda boa pesquisa social, é deixar esse retrato o mais próximo da realidade.
O Instituto Sangari consegue uma aproximação maior do seu levantamento porque seus dados são mais fáceis de serem obtidos. A motivação dos assassinatos que eles abordam são mais gerais: mortes violentas, em acidente de trânsito e suicídios. É diferente de se apurar quantas mortes foram provocadas por um motivo específico. Até hoje não existe uma estimativa aproximada de quantas mulheres são mortas devido à violência doméstica no país ou quantos negros foram assassinados em território nacional devido ao racismo. Não existem dados oficiais que tratem desses assuntos, muito menos quanto à homofobia. Para contornar este problema, entidades como o Grupo Gay da Bahia utilizam dados como informações da mídia e de entidades do Movimento LGBT como principal fonte para seus levantamentos. Os resultados obtidos por eles dão a sensação que a proporção do assassinato por homobia é pequena. Isso quer dizer que o crime está sendo supervalorizado e/ou que, por ser ter “pouco tamanho”, não deva ser combatido? Não e não.
Mas como devemos olhar esses levantamentos?
É muito fácil falar que 1 + 1 = 2. Mas não é todo mundo que consegue explicar o porquê disto. Os dados estatísticos nos auxiliam a ter um diagnóstico de uma situação social. Contudo, a sua leitura tem que ser feita com base na construção da pesquisa e no entendimento do porquê tal resultado existe.
Quantos e quantos casos de homofobia nós soubemos que não foram registrados em delegacias porque as vítimas e suas famílias (no caso das mortes) se sentiram envergonhadas, ou não quiseram se expor, ou as próprias autoridades policiais estimularam as vítimas a não registrar o crime e se omitiram em conferir o verdadeiro “caráter” do crime. Há também casos em que a homofobia acaba registrada como injúria. Inclusive, temos que considerar que nem todos os assassinatos resultantes de homofobia são noticiados pela mídia. Isso também dificulta a coleta de dados feitas pelos institutos e entidades e pode afetar a análise se não for considerado.
Essas dificuldades não estão presentes apenas na homofobia, encontram-se nos crimes de racismo e de violência contra mulher, envolvendo morte da vítima ou não. O pesquisador Ivan Augusto dos Anjos, da Universidade de Brasília, fez um estudo sobre como o racismo é encarado pelas autoridades policiais e constatou que os mesmos não estão preparados para amparar as vítimas: tentam convencê-las que este é um crime de menor importância e tentam um entendimento na delegacia. Eu mesma constatei tal situação no caso da violência contra a mulher, em uma pesquisa para o Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA. Um promotor público relatou que o entendimento do “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” ainda impera.
Diante desse fator, já temos um problema na questão da coleta de dados. São situações muito recorrentes e alteram sensivelmente o resultado da pesquisa. Portanto, são circunstâncias que devem ser consideradas na interpretação dos dados. Os números crus não dizem muita coisa sem entender isto.
A partir destes pontos, devemos entender que a quantidade de assassinatos cometidos por homofobia pode estar aquém da realidade. Há algo que devemos frisar: em 2008, o Grupo Gay da Bahia apurou 190 assassinatos. Em 2010, este número subiu para 260 (um aumento de 36% em dois anos). Por mais que haja essa dificuldade de coletar os dados, há que se considerar que houve um aumento significativo desses crimes. Motivos? Provavelmente esse aumento se deveu ao aumento da homofobia no Brasil (uma triste reação ao avanço e a visibilidade LGBT) e/ou a maior quantidade de registros e da divulgação desses crimes no país. Apesar deste crescimento, esse tipo de crime parece ínfimo se for visto o tanto de pessoas assassinadas no país.
Entretanto, aqui se encontra a informação que muitos omitem propositalmente ou não param para refletir: a homofobia não é apenas o assassinato. Esta é uma expressão da homofobia, a mais extrema. Não podemos esquecer que a homofobia – assim como a violência contra a mulher, o racismo, a xenofobia e outras formas de preconceito – não envolve apenas a morte. É um conjunto nefasto que envolvem discursos preconceituosos, demissões, cárceres privados, agressões (físicas e morais), coações, privações entre outras “pequenas” violências que não são vislumbradas pelas estatísticas. A homofobia também está no discurso de ódio disfarçado com tons de religião, no cinismo chamado “orgulho hetero”, quando torcida xinga jogador gay propositalmente de “bicha”, nas demissões ocorridas por causa da orientação sexual do trabalhador, quando transexuais e travestis são fadadas à marginalização por uma sociedade opressora, quando parlamentar fala que “filho gayzinho merece uma surra”, quando um casal homo é impedido de manifestar afeto ou são alvo de piadinhas ou agressões, quando pais expulsam seus filhos e filhas homossexuais de casa, quando surgem neonazistas defendendo a “família em nome de Deus”…
Nessa brincadeira de rotular o certo e o errado, essas violências do dia-a-dia nem são percebidas ou são subestimadas. Acabam sendo absorvidas pela sociedade heteronormativa como normal, pois “gays não são gente” e “é válido discriminá-los”. As pessoas se chocam com mortes, mas ignoram esses preconceitos internalizados, que doem bastante na pele de quem é tido como diferente por amar de um jeito diferente do que se aprende desde quando somos crianças. A verdadeira homofobia está oculta, mas a cada dia que passa se mostra cada vez maior. Muitos querem legitimar que LGBT’s são impuros, abominações e devem ser hostilizados.
Onde entra o PLC 122/2006 nisso tudo?
Para quem deu uma rápida lida no texto do projeto de lei, viu que nele não há a criação de um crime diferente para homicídios decorrentes de homofobia. Ou seja, não haverá a criação de “homicídio de gays” no Código Penal. Daí, não há privilégio algum, pois a Constituição Federal de 1988 garante que não deve haver discriminação de nenhuma ordem e que todos são iguais na medida de suas diferenças. O PL 122 é apenas uma equiparação à Lei contra o Racismo. Se for a criação de uma casta especial, o que dizer do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Estatuto do Idoso e o da Igualdade social? Criaram grupos melhores que os outros? Não. São tentativas de trazer a dignidade para estes grupos desprotegidos.
O diferencial do PLC 122 é que ele criminaliza esses preconceitos cotidianos, que não são contabilizados em dados estatísticos e que também são tão prejudiciais quanto às agressões que resultam em morte. Quem sofreu algum tipo de preconceito por causa da orientação sexual sabe o que eu falo. Talvez por isso que haja tanta oposição das pessoas que enxergam isto: “se o PLC122 for aprovado, não vou poder mais falar mal dos gays“. O “falar mal dos gays” não é criticar um gay ou lésbica corrupta, falsa, de conduta duvidosa. É atacar uma característica intrínsceca sua, da mesma forma que atacam origem de nascimento, gênero, cor da pele.
Não temos que olhar para os números e nos contentar apenas com aquilo que eles nos dizem ou com aquilo que querem que nós entendamos. A minha contribuição vai no sentido de rebater este argumento falso, pois cair nessa interpretação simplista de uma realidade vivenciada por várias minorias (especialmente a LGBT) é terrível. Pessoalmente vejo como patéticos os malabarismos que os “homens de bem” fazem para tentar sustentar este pano de fundo usado em discursos homofóbicos. É como eu insisto em dizer: em nossa sociedade, negro só vira “gente” quando é vítima de racismo explícito (não o é para ter direitos), mulher quando sofre violência (não há reconhecimento da existência do machismo), indígena só vira gente no seu dia, ou quando são alvos de violência. O pior nisso tudo é que LGBT “não é gente“: insistem em botar a culpa nas próprias vítimas (já que os “gays são safados e eles deram em cima) ou legitimam a violência física e moral sofrida por esta população.
É ridículo afirmar que os homossexuais querem que “suas mortes sejam ‘melhores’ que as dos heterossexuais“. É lógico que uma ou 100 mil vidas perdidas para a violência é lastimável. Porém, todas as medidas que puderem ser feitas para impedir crimes de intolerância devem ser tomadas. E o PLC 122/2006 é uma dessas. É óbvio que uma lei não tem o poder de mitigar a homofobia da sociedade. Isso se faz com políticas públicas e educação. Mas aí muitas das pessoas que dizem não serem preconceituosas e contra a homofobia querem impedir o Plano Nacional de Direitos Humanos e o kit de combate à homofobia.
A vitória dos LGBT’s se aproxima. Como eu sei disso? Os opositores estão cada vez mais raivosos e mentirosos. É complicado, eu sei. Mas vamos nos manter firmes e fortes.
Karla Joyce é cientista política e colaboradora do Blog Eleições HoJE
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Sangue ou Números
Saiba mais sobre o PLC122:
PL 122 Dúvidas e Erros Comuns
Entenda O PLC 122/06
PLC122 Texto Atual
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Karla,
Vc está de parabéns pelo seu texto, bastante elucidativo, e pela coragem de discutir abertamente um tema tão polêmico.
Não sou homossexual, sou esposa, mãe de dois filhos, e isso pode me incluir (ou não) nas estatísticas de vítimas de violência doméstica, ou de violência de gênero. Esta última sofrida por nós, mulheres todos os dias, de forma escancarada ou sutil… somos sim, vítimas de violência verbal, física, sexual. Somos sim, os 40% ou mais das pesquisas (acredito que bem mais). Mas isso não nos torna únicas, e é isso que o texto da Karla traz. O fato de serem certos grupos ou gêneros privilegiados com uma lei específica, ocorre para oportunizar aos grupos minoritários o direito à cidadania, é o que no Direito se chama de discriminação positiva. Assim, não me sentirei, como mulher que sou, como parte dos 40%, em nenhum momento, menos ou mais privilegiada em relação a qualquer outro grupo minoritário que precise de uma lei para ter seu direito à cidadania garantido.
Mas agora parto para o lado humano. Sou hetero, já deixei claro, mas isso não me permite ver qualquer outra pessoa, com uma opção sexual diferente da minha, como alguém doente, ou sujo, ou menos humano do que eu. Eis aí a grande questão. Estamos esquecendo que, independente da cor, sexo, opção sexual ou raça, somos todos humanos, ou pelo menos esperamos que sim, uma vez que, como não é apenas o fato de ter um sexo que define a minha sexualidade, não é apenas o fato de ser da espécie humana, que me faz humano, Ser humano é humanizar-se, é ver no outro o ser humano que sou, é respeitar o outro como ele é, com suas diferenças, qualidades, defeitos. Ser humano é tornar-se cada vez mais capaz de conviver com o outro. Os animais irracionais matam-se entre si por alimento, por território, pelas fêmeas… mas nós humanos, somos os únicos que nos matamos apenas pelas diferenças. Apenas por não gostar que esse ou aquele sujeito use rosa, ou essa ou aquela moça use um decote…
Isso é o que devemos discutir: poe que não somos capazes de ver o ser humano que está no outro? Somos capazes de ir à lua, construir o que há de mais moderno na tecnologia, ou fazer grandes descobertas científicas, mas ainda não somos capazes de conviver com as diferenças, porque não somos capazes de respeitar o outro. Para que haja respeito é preciso que haja humildade. Os héteros são melhores que os homossexuais em que?
Ontem recebi a trágica notícia de que um amigo meu foi assassinado com requintes de crueldade. Por quê? Porque era homossexual. Um jovem professor, inteligente, mestrando, bem sucedido. Não fazia ponto, não estava “à caça”, estava trabalhando. Como se justifica tanta barbaridade? Apenas em uma palavra: desumanidade!!! Então, a homofobia é sim um crime e deve ser combatida por meio de uma lei específica, para que tais crimes não sejam tratados como latrocínio, ou outra forma simplista do código penal. Só quem é desumano não sente dor pelo assassinato de outro ser humano, independente de sua opção sexual, ou até mesmo sexualidade.
Para vcs que defendem a não aprovação da lei, aqui vai o meu repúdio, não pelas concepções, pura e simplesmente, mas pela aprovação às atrocidades que a opinião aberta e às vezes exposta em atitudes, proporciona aos seres humanos!!! Sejamos apenas o que a nossa natureza nos permite ser: sejamos humanos!!!!
Bom post sobre Homofobia, Numeros, Interpretacoes e Estatisticas e o PLC 122. Estou muito impressionado com o tempo eo esforço que você pôs em escrever esta história . Vou dar- lhe um link no meu blog de mídia social. Tudo de bom!
essa lei precisa ser aprovada!
Onde está o desejo pelo debate tão propalado?
Eu que pergunto.
Você botou um link do facebook nada a ver.
Karla,
Sou um tanto veterano (acima de 60). Na época em que cursava o Ginásio (início da década de 60) aprendi nas aulas de biologia que os cromossomos determinam nossas características genéticas é, também, o sexo. Assim, o par XX = mulher e o par XY = homem.
Pergunto: houve algum avanço CIETÍFICO e descobriram que há um cromossomo G ou L ou B ou T ou sei lá qual letra que determina a existência de um 3º ou 4 ou 5º sexo?
Vc confude propositalmente sexo com orientação sexual. sem mais.
Pois é, Mario
Eu tenho na faixa de uns 20-25 anos e aprendi na Biologia, no Ensino Médio, que o genótipo também é influenciado pelo fenótipo (o meio ao qual o indivíduo interage e a influência do genótipo nisso). Também aprendi que a homossexualidade é considerada uma expressão da sexualidade humana (assim como tem os heterossexuais e bissexuais), que é diferente da identidade de gênero (se o indivíduo se vê como macho ou fêmea). Aprendi também que a homossexualidade é observada em outras espécies como golfinhos, leões e cães. Tudo isso é explicado pela Biologia, Medicina, Psicologia.
Ainda bem que estes avanços científicos existiram em minha época. Infelizmente, as pessoas relutam em aceitar os avanços sociais, algo que a Sociologia vem indicando há tempos.
karla você escreve muito bem,más os argumentos não me convenceram,não pelo ato do discriminação,eu também abomino todo tipo de pré-conceito e de conceito pejorativos sobre o ser humano más não pude deixar de observar algumas coisas fui ao site do instituto sangari e nos dados apresentados existe uma característica quase que comum na morte das mulheres(elas são mortas por armas fogo,cortante…) e que 40 % delas estão em seus lares apenas 17 % dos homens estão nos mesmos ambientes ,dai questiono onde estão os assassinos dos homossexuais,quem os mata?
Porque na pesquisa que fiz nos órgãos oficiais das forças polícias não tem registro de mortes de homossexuais só existem registro de homem e mulher,como podem chegar aos dados que dizem se os órgãos oficiais não informam?E não seria uma incongruência afirmar dados que os órgãos oficias não revelam?
Tenho mais questionamentos mas vou por partes?
Vc em q considerar a motivação do crime.
Vc leu so registros de ocorrência? com toda certeza eles relatam a motivaçao.
ex: travesti é morta por grupo de neonazistas por odio e discriminação a homossexuais ..etc etc etc
E outra pra vc ser vitima de um crime homofobico não é necessário ser homossexual, é preciso apenas que a pessoa que te agride acredite que vc é homossexual ou que vc defenda a causa gay.
Sem mencionar que muitos casos não são mencionados como crime de odio e discriminação por que a familia nao quer, pq o delegado é precocneituoso e quer mais que os gays morram, pq o corpo nao foi achado…posso citar N motivos.
O grupo de defende a causal lgbt é maior do o grupo LGBT, graças a deus existem hetero bem esclarecidos.
Zilda,
Sua primeira pergunta já foi respondida no comentário que eu fiz abaixo.
A segunda: é como eu falei para o Mário. Você está julgando que homossexualidade é um terceiro sexo. É orientação sexual. É a mesma confusão que existe de que você tem que interpretar o papel que sua genitália te impõe em termos sociais. No comentário que eu fiz para ele eu respondi isto. Os dados de um Boletim de Ocorrência não trazem um perfil social a respeito da vítima e não trazem sua orientação sexual.
Quando eu falo em dado oficial, é um apanhado geral com análises, como eles fazem com o tráfico de drogas, por exemplo.
Aguardo mais questionamentos.
Alex,
O fato de boa parte dos assassinatos contra mulheres serem em residências/domicílios também não quer dizer nada. E se, dentro deste espectro, a maior parte destas mulheres foram mortas por meliantes que invadiram suas residências?
A lei Mª da Penha surge diante de um fato correntemente denunciado e que o Governo até hoje não tem dados oficiais para mensurar e determinar onde, quando, porque e por quem. Assim como a questão da morte por homofobia.
Creio que você não tenha entendido alguns dos objetivos da minha análise, que era mostrar 1. a falta de dados e de cuidado do Estado com este assunto e 2. não é porque tais dados oficiais não existem que uma situação não tenha que ser tipificada e combatida na sociedade.
Karla, vou usar parte de seu argumento que, se válido para ti, para mim também será:
“E se, dentro deste espectro, a maior parte destes homossexuais foram mortos por outros homossexuais em suas residências, motéis, em encontros, locais perigosos?”
A “boa parte dos assassinatos de mulheres” à qual você se refere é 40% em uma das estatístics e “a maior parte” em outra. As delegacias da mulher mostram que temos sim as informações sobre quem comete crime contra as mulheres.
A falta de dados sobre os assassinatos de homossexuais é suprida pelas informações coletadas pelo GGB. Encontrei lá assassinatos em motéis, assassinatos cometidos por parceiros ou ex-parceiros, assassinatos em locais perigosos para qualquer criatura viva (ou pelo menos para todos nós, seres humanos) e NENHUM, absolutamente NENHUM caso cometido por ódio aos homossexuais. Pode me apontar um que seja?
Dizer que o Estado não tem dados é dizer que vale o que um grupo de pessoas diz ser verdade? O próprio argumento se desmente, visto que vocês estão usando estes dados “não-oficiais” para fazer afirmações que você afirma que o Estado não tem condições de afirmar. Estado não pode atuar sobre o “achismo”. E se vale o achisnmo de um grupo, vale o dos outros todos.
Alex,
Essa sua tática de “jogar a culpa da vitima” não cola, pois todos nós estamos passíveis a esse tipo de crime. É o mesmo de culpar uma pessoa que foi assaltada após ir ao banco fazer um saque pelo fato dela ter ido ao banco. Ou culpar uma mulher vítima de estupro por ela não ter dito “conduta adequada”.
Como eu falei no texto, são dados vindos da mídia e relatos que eles recebem. Eles não conferem tudo em todas as delegacias deste país.
Eu aponto sim um crime cometido por homofobia. Contra o garoto Alexandre Ivo, que foi torturado e estrangulado por “parecer gay” em 2010. Cito outro, o do adestrador de cães (cujo nome não lembro) morto no ano 2000 em uma praça de SP por acaricar seu namorado. Cito outro, de uma menina morta no interior de GO neste ano porque o pai e o irmão de sua namorada reprovavam o relacionamento. Se eu fosse aprontar todos que eu conheço, esse site não caberia.
Insisto: você não leu meu texto. Em todas essas estimativas há problemas em tais estimativas (em todas!). Os dados do GGB dão uma estimativa, não um retrato fiel (como toda pesquisa é, até mesmo as do governo). A partir disto é que os grupos e movimentos sociais fazem suas pautas e não é por causa disso que isso deve ser desprezado. Há uma situação que existe, é recorrente e pode ser melhor definida pelo Estado, detentor de melhores recursos. Eu não falei que o Estado não tem condições de afirmar. Eu falei que o Estado não tem isso porque Governo não quer.
Usando o caso da violência contra a mulher: na época da lei maria da penha, nem idéia se tinha sobre quantas morriam em decorrência da violência doméstica -- algo que o GGB faz. Ainda assim,a lei foi aprovada e o governo, mesmo sem saber da realidade, faz políticas públicas com base nesse achismo, no seu entender. Então o movimento de mulheres era um grupo boçal que se dizia ser detentor de uma verdade e manipulou tudo? Creio que não.
Problema não, sei que vao apagar este também. Porém, muito mais gente está vendo, muito mais gente está percebendo o que está acontecendo “nêsti paíz”: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.112392818849436.26221.100002361550840&saved.
Vamos ao “CADERNO COMPLEMENTAR 2 -- HOMICÍDIO DE MULHERES” do referido instituto e que pode ser baixado aqui: http://www.sangari.com/mapadaviolencia/pdf2011/homicidio_mulheres.pdf.
Os dados da pesquisa mostram que 40% dos assassinatos de mulheres ocorrem dentro nas residências ou habitações. E meios que exigem contato direto são mais comuns nos assassinatos de mulheres.
Isto é suficiente para se pensar em leis para proteger as mulheres. Pelos dados pode-se supor que a violência e assassinato das mesmas sejam causadas em grande número por pessoas que têm acesso às suas residências, mesmo cônjuges, parentes, amigos, etc. e a maneira citada -- como muitos destes assassinatos são cometidos -- corrobora este hipótese. Cá entre nós, eu não entendo que são hipóteses: um enorme número de mulheres são assassinadas por seus parceiros.
Os homossexuais estão sendo mortos por quem, onde e como?
Alex Brum Machado
Perfeita abordagem, Belíssimo texto, parabéns!
Karla, seu artigo está excelente. Eu tenho batido, há algum tempo já, na tecla de que é mais do que necessário teorizar e discorrer mais claramente sobre o que é exatamente a homofobia e seus desdobramentos dentro da cultura. Esta interpretação equivocada e reducionista da homofobia apenas como uma manifestação de violência física explícita e acompanhada de adjetivação depreciativa transforma os atos discriminatórios em ocorrências do acaso, desprovidas de base social e isoladas. É o mesmo que ocorre quando se tenta descolar a base real (e material) da prevalência de assassinatos de jovens negros ignorando uma histórica discriminação motivada por etnia; idem à histórica exclusão das mulheres de todas as instâncias sociais e simbólicas que foram, ao longo do tempo, ocupadas e determinadas pelo homem e, via de regra, sociedades patriarcais.
Parabéns pela abordagem, mais uma vez.
Abraços.
Texto excelente, grande contribuição da Karla Joyce, todo ano a gente vê a mesma coisa, os números do relatório do GGB crescem e aparecem vários pra relativizá-los, estes são altos e muito provavelmente estariam acima do levantamento anual se fosse considerado todas as mortes que de fato acontecem mas que não se tem conhecimento, muitas vezes famílias, amigos, delegados e até mesmo advogados recomendam que as vítimas não façam a denúncia por homofobia, alguns alegam que não vale o desgaste ou a exposição e outros não fazem por medo e vergonha.
Os números são importantes mas não refletem a homofobia do nosso cotidiano, a homofobia nas ruas, no trabalho, nas escolas e esta segundo a OMS apontou coloca o Brasil como o país mais homofóbico do ocidente, o que mais discrimina LGBTs e uma coisa que os grupos e ONGs precisam ficar atentos é que pra maioria da população hetero e até mesmo gays homofobia só existe quando há mortes ou feridos e isto não reflete nem de longe a realidade.
Eu vejo que o quadro só mudará com leis que combatem a discriminação e com o apoio da educação, eu lembro que anos atrás nos fóruns os homofobicos diziam que a lei não seria importante que preconceitos se combate com educação, agora temos o programa escola sem homofobia e estes mesmos são contra, o que se percebe que quem é contra o combate à discriminação é contra sempre.
Texto brilhante. O grande X de toda a questão do preconceito/discriminação é: incapacidade da maioria das pessoas se colocarem no lugar de quem sofre com isso, em outras palavras, exercer a Alteridade.
Desculpa, exercer o que?
Excelente raciocínio! Parabéns! Quiçá todos pensassem da mesma maneira…
Daí teríamos o naturalmente impossível ou a tirania dos “com a verdade”.