25 Respostas to “Homofobia, Números, Interpretações e Estatísticas: onde o PLC 122/2006 entra nisso tudo?”

  1. Luiza Carvalho disse:

    Karla,

    Vc está de parabéns pelo seu texto, bastante elucidativo, e pela coragem de discutir abertamente um tema tão polêmico.
    Não sou homossexual, sou esposa, mãe de dois filhos, e isso pode me incluir (ou não) nas estatísticas de vítimas de violência doméstica, ou de violência de gênero. Esta última sofrida por nós, mulheres todos os dias, de forma escancarada ou sutil… somos sim, vítimas de violência verbal, física, sexual. Somos sim, os 40% ou mais das pesquisas (acredito que bem mais). Mas isso não nos torna únicas, e é isso que o texto da Karla traz. O fato de serem certos grupos ou gêneros privilegiados com uma lei específica, ocorre para oportunizar aos grupos minoritários o direito à cidadania, é o que no Direito se chama de discriminação positiva. Assim, não me sentirei, como mulher que sou, como parte dos 40%, em nenhum momento, menos ou mais privilegiada em relação a qualquer outro grupo minoritário que precise de uma lei para ter seu direito à cidadania garantido.

    Mas agora parto para o lado humano. Sou hetero, já deixei claro, mas isso não me permite ver qualquer outra pessoa, com uma opção sexual diferente da minha, como alguém doente, ou sujo, ou menos humano do que eu. Eis aí a grande questão. Estamos esquecendo que, independente da cor, sexo, opção sexual ou raça, somos todos humanos, ou pelo menos esperamos que sim, uma vez que, como não é apenas o fato de ter um sexo que define a minha sexualidade, não é apenas o fato de ser da espécie humana, que me faz humano, Ser humano é humanizar-se, é ver no outro o ser humano que sou, é respeitar o outro como ele é, com suas diferenças, qualidades, defeitos. Ser humano é tornar-se cada vez mais capaz de conviver com o outro. Os animais irracionais matam-se entre si por alimento, por território, pelas fêmeas… mas nós humanos, somos os únicos que nos matamos apenas pelas diferenças. Apenas por não gostar que esse ou aquele sujeito use rosa, ou essa ou aquela moça use um decote…
    Isso é o que devemos discutir: poe que não somos capazes de ver o ser humano que está no outro? Somos capazes de ir à lua, construir o que há de mais moderno na tecnologia, ou fazer grandes descobertas científicas, mas ainda não somos capazes de conviver com as diferenças, porque não somos capazes de respeitar o outro. Para que haja respeito é preciso que haja humildade. Os héteros são melhores que os homossexuais em que?

    Ontem recebi a trágica notícia de que um amigo meu foi assassinado com requintes de crueldade. Por quê? Porque era homossexual. Um jovem professor, inteligente, mestrando, bem sucedido. Não fazia ponto, não estava “à caça”, estava trabalhando. Como se justifica tanta barbaridade? Apenas em uma palavra: desumanidade!!! Então, a homofobia é sim um crime e deve ser combatida por meio de uma lei específica, para que tais crimes não sejam tratados como latrocínio, ou outra forma simplista do código penal. Só quem é desumano não sente dor pelo assassinato de outro ser humano, independente de sua opção sexual, ou até mesmo sexualidade.

    Para vcs que defendem a não aprovação da lei, aqui vai o meu repúdio, não pelas concepções, pura e simplesmente, mas pela aprovação às atrocidades que a opinião aberta e às vezes exposta em atitudes, proporciona aos seres humanos!!! Sejamos apenas o que a nossa natureza nos permite ser: sejamos humanos!!!!

  2. facebook likes disse:

    Bom post sobre Homofobia, Numeros, Interpretacoes e Estatisticas e o PLC 122. Estou muito impressionado com o tempo eo esforço que você pôs em escrever esta história . Vou dar- lhe um link no meu blog de ​​mídia social. Tudo de bom!

  3. leonardo disse:

    essa lei precisa ser aprovada!

  4. Alex Brum Machado disse:

    Onde está o desejo pelo debate tão propalado?

  5. Mario Tamaki disse:

    Karla,

    Sou um tanto veterano (acima de 60). Na época em que cursava o Ginásio (início da década de 60) aprendi nas aulas de biologia que os cromossomos determinam nossas características genéticas é, também, o sexo. Assim, o par XX = mulher e o par XY = homem.

    Pergunto: houve algum avanço CIETÍFICO e descobriram que há um cromossomo G ou L ou B ou T ou sei lá qual letra que determina a existência de um 3º ou 4 ou 5º sexo?

    • Erika Souza disse:

      Vc confude propositalmente sexo com orientação sexual. sem mais.

    • Karla Joyce disse:

      Pois é, Mario
      Eu tenho na faixa de uns 20-25 anos e aprendi na Biologia, no Ensino Médio, que o genótipo também é influenciado pelo fenótipo (o meio ao qual o indivíduo interage e a influência do genótipo nisso). Também aprendi que a homossexualidade é considerada uma expressão da sexualidade humana (assim como tem os heterossexuais e bissexuais), que é diferente da identidade de gênero (se o indivíduo se vê como macho ou fêmea). Aprendi também que a homossexualidade é observada em outras espécies como golfinhos, leões e cães. Tudo isso é explicado pela Biologia, Medicina, Psicologia.

      Ainda bem que estes avanços científicos existiram em minha época. Infelizmente, as pessoas relutam em aceitar os avanços sociais, algo que a Sociologia vem indicando há tempos.

  6. zilda mara disse:

    karla você escreve muito bem,más os argumentos não me convenceram,não pelo ato do discriminação,eu também abomino todo tipo de pré-conceito e de conceito pejorativos sobre o ser humano más não pude deixar de observar algumas coisas fui ao site do instituto sangari e nos dados apresentados existe uma característica quase que comum na morte das mulheres(elas são mortas por armas fogo,cortante…) e que 40 % delas estão em seus lares apenas 17 % dos homens estão nos mesmos ambientes ,dai questiono onde estão os assassinos dos homossexuais,quem os mata?
    Porque na pesquisa que fiz nos órgãos oficiais das forças polícias não tem registro de mortes de homossexuais só existem registro de homem e mulher,como podem chegar aos dados que dizem se os órgãos oficiais não informam?E não seria uma incongruência afirmar dados que os órgãos oficias não revelam?
    Tenho mais questionamentos mas vou por partes?

    • Erika Souza disse:

      Vc em q considerar a motivação do crime.
      Vc leu so registros de ocorrência? com toda certeza eles relatam a motivaçao.

      ex: travesti é morta por grupo de neonazistas por odio e discriminação a homossexuais ..etc etc etc

      E outra pra vc ser vitima de um crime homofobico não é necessário ser homossexual, é preciso apenas que a pessoa que te agride acredite que vc é homossexual ou que vc defenda a causa gay.

      Sem mencionar que muitos casos não são mencionados como crime de odio e discriminação por que a familia nao quer, pq o delegado é precocneituoso e quer mais que os gays morram, pq o corpo nao foi achado…posso citar N motivos.

      O grupo de defende a causal lgbt é maior do o grupo LGBT, graças a deus existem hetero bem esclarecidos.

    • Karla Joyce disse:

      Zilda,
      Sua primeira pergunta já foi respondida no comentário que eu fiz abaixo.
      A segunda: é como eu falei para o Mário. Você está julgando que homossexualidade é um terceiro sexo. É orientação sexual. É a mesma confusão que existe de que você tem que interpretar o papel que sua genitália te impõe em termos sociais. No comentário que eu fiz para ele eu respondi isto. Os dados de um Boletim de Ocorrência não trazem um perfil social a respeito da vítima e não trazem sua orientação sexual.
      Quando eu falo em dado oficial, é um apanhado geral com análises, como eles fazem com o tráfico de drogas, por exemplo.

      Aguardo mais questionamentos.

  7. Karla Joyce disse:

    Alex,
    O fato de boa parte dos assassinatos contra mulheres serem em residências/domicílios também não quer dizer nada. E se, dentro deste espectro, a maior parte destas mulheres foram mortas por meliantes que invadiram suas residências?

    A lei Mª da Penha surge diante de um fato correntemente denunciado e que o Governo até hoje não tem dados oficiais para mensurar e determinar onde, quando, porque e por quem. Assim como a questão da morte por homofobia.

    Creio que você não tenha entendido alguns dos objetivos da minha análise, que era mostrar 1. a falta de dados e de cuidado do Estado com este assunto e 2. não é porque tais dados oficiais não existem que uma situação não tenha que ser tipificada e combatida na sociedade.

    • Alex Brum Machado disse:

      Karla, vou usar parte de seu argumento que, se válido para ti, para mim também será:

      “E se, dentro deste espectro, a maior parte destes homossexuais foram mortos por outros homossexuais em suas residências, motéis, em encontros, locais perigosos?”

      A “boa parte dos assassinatos de mulheres” à qual você se refere é 40% em uma das estatístics e “a maior parte” em outra. As delegacias da mulher mostram que temos sim as informações sobre quem comete crime contra as mulheres.

      A falta de dados sobre os assassinatos de homossexuais é suprida pelas informações coletadas pelo GGB. Encontrei lá assassinatos em motéis, assassinatos cometidos por parceiros ou ex-parceiros, assassinatos em locais perigosos para qualquer criatura viva (ou pelo menos para todos nós, seres humanos) e NENHUM, absolutamente NENHUM caso cometido por ódio aos homossexuais. Pode me apontar um que seja?

      Dizer que o Estado não tem dados é dizer que vale o que um grupo de pessoas diz ser verdade? O próprio argumento se desmente, visto que vocês estão usando estes dados “não-oficiais” para fazer afirmações que você afirma que o Estado não tem condições de afirmar. Estado não pode atuar sobre o “achismo”. E se vale o achisnmo de um grupo, vale o dos outros todos.

      • Karla Joyce disse:

        Alex,

        Essa sua tática de “jogar a culpa da vitima” não cola, pois todos nós estamos passíveis a esse tipo de crime. É o mesmo de culpar uma pessoa que foi assaltada após ir ao banco fazer um saque pelo fato dela ter ido ao banco. Ou culpar uma mulher vítima de estupro por ela não ter dito “conduta adequada”.

        Como eu falei no texto, são dados vindos da mídia e relatos que eles recebem. Eles não conferem tudo em todas as delegacias deste país.

        Eu aponto sim um crime cometido por homofobia. Contra o garoto Alexandre Ivo, que foi torturado e estrangulado por “parecer gay” em 2010. Cito outro, o do adestrador de cães (cujo nome não lembro) morto no ano 2000 em uma praça de SP por acaricar seu namorado. Cito outro, de uma menina morta no interior de GO neste ano porque o pai e o irmão de sua namorada reprovavam o relacionamento. Se eu fosse aprontar todos que eu conheço, esse site não caberia.

        Insisto: você não leu meu texto. Em todas essas estimativas há problemas em tais estimativas (em todas!). Os dados do GGB dão uma estimativa, não um retrato fiel (como toda pesquisa é, até mesmo as do governo). A partir disto é que os grupos e movimentos sociais fazem suas pautas e não é por causa disso que isso deve ser desprezado. Há uma situação que existe, é recorrente e pode ser melhor definida pelo Estado, detentor de melhores recursos. Eu não falei que o Estado não tem condições de afirmar. Eu falei que o Estado não tem isso porque Governo não quer.

        Usando o caso da violência contra a mulher: na época da lei maria da penha, nem idéia se tinha sobre quantas morriam em decorrência da violência doméstica -- algo que o GGB faz. Ainda assim,a lei foi aprovada e o governo, mesmo sem saber da realidade, faz políticas públicas com base nesse achismo, no seu entender. Então o movimento de mulheres era um grupo boçal que se dizia ser detentor de uma verdade e manipulou tudo? Creio que não.

  8. Alex Brum Machado disse:

    Vamos ao “CADERNO COMPLEMENTAR 2 -- HOMICÍDIO DE MULHERES” do referido instituto e que pode ser baixado aqui: http://www.sangari.com/mapadaviolencia/pdf2011/homicidio_mulheres.pdf.

    Os dados da pesquisa mostram que 40% dos assassinatos de mulheres ocorrem dentro nas residências ou habitações. E meios que exigem contato direto são mais comuns nos assassinatos de mulheres.

    Isto é suficiente para se pensar em leis para proteger as mulheres. Pelos dados pode-se supor que a violência e assassinato das mesmas sejam causadas em grande número por pessoas que têm acesso às suas residências, mesmo cônjuges, parentes, amigos, etc. e a maneira citada -- como muitos destes assassinatos são cometidos -- corrobora este hipótese. Cá entre nós, eu não entendo que são hipóteses: um enorme número de mulheres são assassinadas por seus parceiros.

    Os homossexuais estão sendo mortos por quem, onde e como?

    Alex Brum Machado

  9. @HelberSousa disse:

    Perfeita abordagem, Belíssimo texto, parabéns!

  10. Karla, seu artigo está excelente. Eu tenho batido, há algum tempo já, na tecla de que é mais do que necessário teorizar e discorrer mais claramente sobre o que é exatamente a homofobia e seus desdobramentos dentro da cultura. Esta interpretação equivocada e reducionista da homofobia apenas como uma manifestação de violência física explícita e acompanhada de adjetivação depreciativa transforma os atos discriminatórios em ocorrências do acaso, desprovidas de base social e isoladas. É o mesmo que ocorre quando se tenta descolar a base real (e material) da prevalência de assassinatos de jovens negros ignorando uma histórica discriminação motivada por etnia; idem à histórica exclusão das mulheres de todas as instâncias sociais e simbólicas que foram, ao longo do tempo, ocupadas e determinadas pelo homem e, via de regra, sociedades patriarcais.

    Parabéns pela abordagem, mais uma vez.
    Abraços.

  11. Texto excelente, grande contribuição da Karla Joyce, todo ano a gente vê a mesma coisa, os números do relatório do GGB crescem e aparecem vários pra relativizá-los, estes são altos e muito provavelmente estariam acima do levantamento anual se fosse considerado todas as mortes que de fato acontecem mas que não se tem conhecimento, muitas vezes famílias, amigos, delegados e até mesmo advogados recomendam que as vítimas não façam a denúncia por homofobia, alguns alegam que não vale o desgaste ou a exposição e outros não fazem por medo e vergonha.

    Os números são importantes mas não refletem a homofobia do nosso cotidiano, a homofobia nas ruas, no trabalho, nas escolas e esta segundo a OMS apontou coloca o Brasil como o país mais homofóbico do ocidente, o que mais discrimina LGBTs e uma coisa que os grupos e ONGs precisam ficar atentos é que pra maioria da população hetero e até mesmo gays homofobia só existe quando há mortes ou feridos e isto não reflete nem de longe a realidade.

    Eu vejo que o quadro só mudará com leis que combatem a discriminação e com o apoio da educação, eu lembro que anos atrás nos fóruns os homofobicos diziam que a lei não seria importante que preconceitos se combate com educação, agora temos o programa escola sem homofobia e estes mesmos são contra, o que se percebe que quem é contra o combate à discriminação é contra sempre.

  12. @Thiago_Fiago disse:

    Texto brilhante. O grande X de toda a questão do preconceito/discriminação é: incapacidade da maioria das pessoas se colocarem no lugar de quem sofre com isso, em outras palavras, exercer a Alteridade.

  13. Yury disse:

    Excelente raciocínio! Parabéns! Quiçá todos pensassem da mesma maneira…

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