Por Marcelo Gerald
A maior Parada Gay do Brasil e do mundo, até que refutem os números, aconteceu ontem. Qual a repercussão do evento? O seu poder político? O comportamento dos candidatos e como a Parada reflete na mídia é algo que vale a pena acompanhar.
A primeira conclusão que se tira da Parada é que políticos parecem estar mais preocupados em agradar o eleitorado conservador, entre os candidatos à prefeitura paulistana apenas Soninha, do PPS; Carlos Giannazi, do PSOL e Celso Russomano, do PRB compareceram ao evento. Celso Russomano fez declaração confusa contra o casamento Gay, disse ser a favor apenas da união estável, não é mais aceitável que um candidato a cargo político confunda casamento civil com casamento religioso, uma vez que o debate é contínuo desde o reconhecimento da união estável pelo STF.
Entre os faltosos, José Serra (PSDB) prolongou sua viagem a nova Iorque e publicou mensagem de apoio à Parada no Twitter, Haddad (PT) disse que foi viajar com a família, o candidato tem dado declarações contraditórias a respeito da causa LGBT e agora apóia publicamente o veto da presidenta Dilma ao kit anti-homofobia, a militância do seu partido ao invés de cobrá-lo costuma justificar sua omissão e erros.
Gabriel Chalita (PMDB) afirmou que tinha compromisso já marcado, mas é bom lembrar que a Parada estava agendada há muito tempo e o candidato se embaraçou em declarações bizarras contra o “escola sem homofobia”, afirmou que o kit fazia apologia a homossexualidade (sic).
Entre os políticos que ocupam cargos atualmente, a Parada contou com Jean Wyllys (PSOL), que tem sido um importante político pela causa LGBT , Marta Suplicy (PT), que destacou retrocesso no combate à homofobia, o Prefeito Kassab (PSD) e o Governador Geraldo Alkmin (PSDB). O Governador é uma surpresa boa, de formação religiosa conservadora, Alkmin dá lição a Haddad e a Serra mostrando que religião e política não se misturam.
Números. Quanto aos números não há duvidas que caíram este ano, mas o fato da PM e dos organizadores não soltarem estimativas deixou brecha pro Datafolha soltar dados “científicos” e reduzir a média de 4 milhões para apenas 270 mil, se o Datafolha estiver certo, a PM paulistana não sabe contar, o que é de se duvidar. A metodologia científica não foi divulgada, mas pra quem estava lá pareceu difícil crer nesse número.
A FOLHA mostrou disposição pra detonar o evento e publicou opinião de leitor que dizia que a Parada é apologia ao homossexualismo (sic). É triste ler tamanho absurdo de fácil refutação em um grande jornal. Eu questionei a Ombdsman e se fosse a “opinião” de um racista contra negros ou judeus se seria publicada. A resposta: “A msg está no painel do leitor e não prega o racismo.” O que se conclui é que o jornal publica ideia homofóbica e lava as mãos, o que interessa é a polêmica e audiência que isso levanta. No geral atrai uma onda de comentários intolerantes na página da publicação.
Parada mais política. Essa sim foi uma boa constatação, a Parada estava mais politizada. Várias pessoas ergueram faixas e cartazes cobrando o PLC122 e políticos. Vitor Angelo do Blogay relatou que havia muitas pessoas abertas para saberem mais sobre o PL que combate a discriminação por orientação sexual e ficou surpreso com a quantidade de pessoas que desconheciam o projeto.
Mesmo com tom mais político não faltou discursos contra a Parada Gay, em grupos LGBTs das redes sociais, aparentemente alguns homossexuais internalizaram discursos homofóbicos e parecem acreditar que se forem certinhos e imitarem héteros serão mais aceitos.
É muito triste lermos jovens, inclusive alguns LGBTs, pregando contra o beijo gay, acusando a Parada de carnaval, o curioso, que quando tem uma ação dentro da Parada essas pessoas somem, quando há Marchas contra a homofobia não aparecem, quando se divulga marcha pelo Estado Laico fazem cara de paisagem, mas metem o pau em toda bee que tem coragem de dar pinta na Paulista. Quando leio esses comentários percebo como a causa Gay está próxima do Direito das mulheres, no fundo somos todos “vadias”, elas às vezes “são estupradas por usar saia curta” e “gays apanham por dar pinta”, “por demonstrar afeto”.
O injustificável sempre encontra voz em pessoas que tem preguiça de pensar.







O amor não avisa quando chega, nem quem encontrará. O amor simplesmente se instala, progride e jamais agride. O amor não tem sexo, habita na alma da gente e sua manifestação é de afeto, compreensão, companheirismo e solidariedade.
A ordem é sonhar e lutar por um mundo de “diferentes iguais” em direitos e obrigações.
VIVA A LUTA DE TODAS AS MINORIAS !!!
Júlio Dillenburg
Advogado
Porto Alegre/RS
Comcordo plenamente com vc Marcelo. Li a matéria da folha ontem e fiquei perplexo pelo tamanho preconceito publicado por um jornal como este. Se os jornais publicassem a essencia verdadeira e causa da parada gay, talvez na segunda-feira não seríamos alvos de piadinhas sem graça em nossos trabalhos e relações interpessoais.
Nesta edição vi mais manifestações políticas, tanto na forma de cartazes e faixas, quanto nas fantasias. Um exemplo bem humorado foi o sósia de Obama lembrando seu apoio ao casamento igualitário.
Outra foram pessoas muito jovens com frases de reivindicação, ou pessoas heterossexuais bem idosas, com seus familiares, netos e bisnetos, dando entrevistas às mais diversas formas de mídia(kd?)dando seu apoio à causa, legitimando toda a movimentação dos participantes.
Quanto a presença de políticos, confesso que algumas me incomodaram e não pude deixar de vaiar Marta durante seu discurso, assim como aplaudi Jean e a fala das Mães da Diversidade(foi emocionante demais).
Mas o apoio de alguns Punks pra mim foi algo surpreendente. Assim que eles chegaram na Av., confesso que fiquei apreensiva, mas depois vi que o apoio era sincero, e eles foram muito aplaudidos.
A presença e apoio de Punks quebrando as correntes da intolerância não mostram que já passamos de todos os limites da dor, da violência, do desrespeito?
Foi uma Parada menor, com muita música, muita alegria, sem recorde de público, poucas ocorrências policiais, mas na qual, nos últimos anos, trouxe, entre os milhões, SIM< MILHÕES
Continuando o comentário:
Milhões de participantes mostraram maior consciência de seus direitos de reivindicação…e curiosamente é a edição que estão tentando minimizar a importância daquela que todos já sabemos, é a maior Parada Gay do mundo.
E mesmo se não o fosse, todos que estiveram lá merecem igualmente serem ouvidos e respeitados.
Afinal, Sr. Gerald, alguém é obrigado a ser à favor do casamento gay? Ser favorável à união estável, prevista na legislação e confirmada pelo STF não basta? Me desculpe, sua atitude não me parece lá muito democrática. É hora de rever seus conceitos.
Lutar pela causa LGBT é um direito de qualquer cidadão. Você tentar impedir a defesa de uma ideia ou causa é que não é nada democrático.
Não, não basta! E daí, vai dar “piti” por não acharmos que não basta? Democrático você, heim… Devemos nos contentar “com pouco” e ficarmos caladinhos. Qual a sua autoridade para achar o que nós, LGBTs devemos reivindicar ou não? Ora, me poupe!!!