Quando o discurso não é a realidade
Por Luis Eduardo Melo
Quando pessoas discutem ou opinam o porquê de LGBTs quererem leis como o PLC122/06, eu me pergunto o porquê dessas pessoas discutirem ou opinarem nossas razões: está tudo aí!!!
Cegos, inocentes, ou má fé, fato é que criminalizar a homofobia é mais do que dever, é necessário e urgente. E na contrapartida, descriminalizar o gay moralmente, pois, a cada homossexual morto, fica clara a intenção: “nós não gostamos de gays, isso é crime/pecado, devemos fazer algo, como agredi-los verbalmente ou, se não houver uma conversão, aniquilá-los como se faz por aí – matar bandidos” – uma suposta justiça com as próprias mãos e o perdão, Deus dará.
Essa semana começou com mais vermelho na bandeira do arco-íris, símbolo LGBT na luta pela diversidade e liberdade: dois casos de homicídio por homofobia, truculentos e covardes. As idades, 17 e 36, o que nos dá uma dimensão de que a extensão da faixa etária de assassinados está muito além do que se pensa: ninguém está seguro!
O primeiro, Caio Lehnnysson da Silva (respeitando à sua descrição no orkut, “Kaio” ou “Ká Stock“), 17 anos (a matéria diz que ele tinha 19 anos, um conflito: maior ou menor de idade?), jovem e com aparência andrógina, foi morto na noite de ontem para hoje (30/05/2011), em São Gonçalo do Amarante, RN. Segundo noticiado no blog “O beijo do Escorpião”:
“…amigo da vítima que testemunhou quando o corpo foi encontrado, sinais de estrangulamento, estupro e esfaqueamento estavam no local, além de ter tido os dentes quebrados e de ser encontrado com a boca cheia de terra, e sem roupa íntima.”
O segundo caso, noticiado no site Itamaraju Notícias, um cozinheiro de 36 anos chamado Alexandre dos Anjos Conceição, homossexual, chefe de cozinha de uma churrascaria de Bentivi (BA),foi encontrado morto e queimado na manhã de hoje, 30/05/2011, com suas roupas, calçados e uma madeira suja de sangue em um terreno baldio localizado ao lado de uma construção do conjunto habitacional Italalage, localizado entre os bairros Urbis II e III. Os funcionários que trabalham na empreiteira acionaram a polícia militar, que identificou a veracidade do crime. Pessoas relataram que o chefe estava em um bar na noite anterior, depois não foi mais visto.
Bem… é difícil continuar a escrever depois desses dois homicídios reais, cruéis e intencionalmente fúteis: matar homossexuais.
Não posso peregrinar em especulações sobre o que se passa na cabeça de uma pessoa quando ela decide matar gays, mas posso afirmar com a maior força científica possível que esses são crimes de ódio, ou HOMOFOBIA!
Somos gays, construímos nossa identidade, e identidade, para quem nunca refletiu, é única e não dar para mudar é inerente, como seu registro civil (RG). A construção da identidade começa quando não gostamos do que nos impõe no binário “menino-menina”, “isso é coisa de menino”, “isso é coisa de menina”. Escolhemos o que nos cai bem, o que nos faz melhor, vivos, felizes. E assim, sobrevivemos à longa jornada que é caminhar essa vida toda até a velhice… quer dizer, tentamos!
Sempre ela, sempre esse obscuro obstáculo, homofobia, secreta, declarada, espreitada, depravada… de todas as formas ela se apresenta a nós, tentando nos enfraquecer em nosso vigor, felicidade.
Não cabe mais o discurso de que todos os homossexuais são iguais a qualquer um, e que leis específicas para nós seria favorecimento. Ora bolas, alguém aqui morreu por ser hetero? Eu desafio digitar no google e encontrar uma notícia sequer dizendo “Heterossexual é assassinado por ser heterossexual”. Acabei de fazê-lo e TODOS os direcionamentos foram para HOMOSSEXUAIS.
Sim, somos iguais quando pagamos contas, quando comemos, tomamos banho, compramos, viajamos para uma praia, uma casa no interior, um outro país, quando vamos ao banheiro masculino ou feminino. Mas somos diferentes quando somos tratados pelos outros, pelos olhares, pela recepção e principalmente, pelo preconceito, que vai da escala da rejeição ao homicídios acima citados.
Enquanto Dilma Rousseff fez uma viagenzinha de “urgência” ao Uruguai, após detonar uma bomba no colo de LGBTs e da sociedade ao suspender o projeto “Escola sem Homofobia” sem ao menos dar uma justificativa plausível e sustentável, apenas um “vi os vídeos na TV e não gostei”, mostrando claramente seu descaso e despreparo com o tema, a sensibilidade e a gravidade dos acontecimentos, enquanto meninos, meninas, travestis e transexuais continuam apanhando nas escolas, quando esses permanecem nelas! Um vídeo seria ilustrado aqui, mas foi censurado pelo youtube.
É essa a escola que a Dilma e julgadores da “verdadeira moral” querem? Pois suspendendo um projeto que visa esclarecer e conscientizar que ser homossexual não é “sem vergonhice”, independente do que se desenrolar nos conflitos, é que teremos uma sociedade brasileira mais inclusiva. Foi a escola da intolerância que ficou em vigor, são os “costumes”!
Uma frustração enorme em ver o outro vivendo, seguindo, sendo ele mesmo, enquanto o mundo daquele homofóbico é tão vazio, sem sentido, cheio de privações, o leva a querer aprisionar ou abater quem é livre, tal como alguém não se contenta em ver um pássaro voando e o quer preso ou abatido. Como citei em um texto meu recente:
“O fim de tudo reside na inversão dos fatores: minha híbris (terrível ira grega) é um problema deles. Essa híbris baseia seus argumentos nas pulsões incontroláveis: é mais forte que eu! Uma estratégia racional da irracionalidade, “detenha-me ou farei algo de ruim!”. E alguém mudaria detendo-o?”
Minha resposta é que não: como qualquer crime, agressão ou homicídio é penalizado, sendo homossexual ou não. Mas, em especial, por se tratar de um caso bem específico e bem idiota/fútil/torpe, se o crime foi cometido pela vítima ser homossexual, vale um agravante, como há em crimes contra negros, contra mulheres, contra idosos… classes historicamente e até o presente momento, desclassificadas, deterioradas em seus direitos de ir, vir e viver, tal como nós, LGBTs.
E fecho o texto, emocionado com uma descrição do perfil do facebook de Ká Stock:
“I believe that one day I will have my own world and paint it red, hahaha.”
(Eu acredito que um dia vou ter meu próprio mundo e pintá-lo de vermelho, hahaha)
É, Ká… e ele foi, infelizmente, pintado de vermelho-sangue.
Video em homenagem ao Ká Stock feito por amigos:






“Mas somos diferentes quando somos tratados pelos outros, pelos olhares, pela recepção e principalmente, pelo preconceito, que vai da escala da rejeição ao homicídios acima citados.”
Infelizmente é uma situação que acontece: o desrespeito a diferença, atos cruéis que podem ser legitimizados pelas interpretações falaciosas de crenças, os assassinatos ocultos que ocorrem sem saber o motivo que gerou tal ato, alguns podem apontar homofobia, o que é mais provável, mas existe outras possibilidades de causas.
Espero que a lei abra caminhos de diálogo, promovendo um espaço da diferença, do que é diverso e singular em cada indivíduo e não que continue o mesmo processo de exclusão de uma classe ou outra. Infelizmente, a lei pode ser lançada e mesmo assim o preconceito continuar operando. A legalização não impede que certas práticas ocorram nas sombras sociais. Acredito que só um espaço de diálogo, os muros podem ser derrubados, do contrário, a lei pode gerar mais um muro ou apenas colocar um lençol naquilo que não só se apresenta social, mas psíquico também.
O crime de assassinato é abominável, seja ele contra quem for, e toda sociedade quer que este assassino seja punido. O foco deve ser para a PREVENÇÃO de crimes, por meio da EDUCAÇÃO DE QUALIDADE. Não é simplesmente BAIXANDO LEIS criminalizando HETEROSEXUAIS que a questão será resolvida.
O RESPEITO E A TOLERÂNCIA SÃO FRUTOS DA E D U C A Ç Ã O E M M A S S A.
É essa bandeira que GLBT, IGREJA, SOCIEDADE devem levantar e se dirigir ao PODER.
MAIS ESCOLAS, MENOS CADEIA.
um pais que tem vergonha ter ter como cartilha escolar principios de respeito a diversidade humana…deve se orgulhar de ser o pais que mais mata cruelmente homossexuais…..a pena de morte está decretada….apartir do momento que uma presidenta não faz nada pra combater um deputado…que coloca e risco a vida de seus cidadões..e decreta apartaide escolar onde nas materias tem conteudos heteronormativo mais é proibido se falar em direito a vida de homossexuais…..
enquanto centenas de mães que deram suas vidas pra criarem seus filhos enterram sem terem nenhum amparo do governo
Por baixo de nossas roupas estamos todos pelados, não é?
Não sei porquê as pessoas se incomodam tanto com relação a sexualidade, a cor, a situação financeira do outro. Esse ódio é movido por uma sensação de superioridade. E isso é tão absurdo, não se justifica. O governo precisava mesmo era fazer um programa de conscientização da sociedade como um todo, velho. Tem que usar os meios de comunicação, tudo… Existe campanha de prevenção a AIDS, de vacinação de tudo quanto é coisa, deveria existir uma campanha do governo para o combater a homofobia. Não acha, não? Está mais que na hora. O governo, acho que nenhum governo até agora se preocupou com os grupos LGBTT. Não é levantar bandeira, é trabalhar problemas que são reais em nosso país.