60 Respostas to “Liberdade religiosa ou o direito de ofender?”

  1. Júnior Sousa disse:

    A única objeção que considero legítima por parte dos religioso é a de que as religiões devem ter o direito de não institucionalizar ou efetuar casamentos caso suas crenças não aprovem tal ato; além de terem o direito de não aceitarem comportamentos que não obedecem à regra moral de uma igreja ou templo dessa religião e suas proximidades (no caso o quarteirão onde ela está situada).
    Que exista uma união que tenha a mesma validade de casamento perante o Estado, mas que o mesmo não obrigue religião alguma a aceitar isso, pois aí sim quebraria a verdadeira liberdade de expressão.
    Nenhuma religião tem o direito de repudiar uma pessoa homossexual por ser homossexual, mas nenhuma homossexual tem o direito de submeter uma religião à sua vontade nem o Estado.

    Basicamente é isso que penso.

  2. Isabela disse:

    Gostei muito do texto. Completíssimo! Sou a favor da PCL 122. O Estado deve zelar por todos. Quando há um determinado grupo que precisa ser amparado mas não são respeitadas suas garantias individuais o Estado deve entrar no meio e garantir direitos para os excluídos. Não ter direito de se casar por ser gay é estar excluído. É normal que os religiosos fiquem se coçando com isso mas eles tem que entender o real sentido do Estado e do Direito. Então temos que ficar nessa guerra de religiosos contra homossexuais? A sociedade evolui e a lei deve acompanhar para o bem de todos. A PCL 122 é uma evolução da lei, evolução essa que está ocorrendo pq uma maioria da sociedade já aceita o homossexualismo,porém uma minoria insiste em lutar contra e ainda desrespeitam. Sinceramente penso que o que não deveria haver, pelo menos pela consciência, são as bancadas religiosas tentando impor não leis humanas e sim a bíblia nos assuntos do ESTADO. Se a prática do homossexual é imoral para a bíblia, transar antes do casamento também é e no entanto 10% dos religiosos adultos não fazem isso. São todos imorais e ninguém fala nada. Os religiosos são contra o aborto pq é imoral e bla bla bla e no entanto o que mais conheço é crente que faz. Acho que os pastores tem que parar de encher o saco do Estado e começar a cuidar de suas ovelhinhas,isso sim!

  3. elcio lopes disse:

    Texto maravilhoso! Se alguém não entendeu, tal incidente deve-se ao fato de nosso país possuir tão parvas escolas. Cabe apenas um comentário praticamente indígno: o fato de em nosso país precisarmos de uma lei para regular tais atitudes mostra apenas a dinastia de ignorância pela qual passamos cabisbaixos. Contudo, se é de lei que precisamos, que venha a lei. Desta forma o brasileiro descobrirá que precisa viver o fascismo para valorizar a liberdade que tem. Ora, o que digo não é descabido: como expus acima, respeitar o direito alheio é o princípio do Estado liberal que todos defendemos; se as condutas devem ser podadas para que haja mínima harmonia, vivemos num Estado fascista. Então: se é fascio que o povo quer, fascio terá. E é bem feito!

  4. Will disse:

    O problema é a interpretação do que é ofender ou não.

    Os evangélicos se colocam contra a homossexualidade (e não os homossexuais), não pq acham bonito brigar por isso, ou para aparecer, mas por uma questão simples: a Bíblia condena o homossexualismo, da mesma forma que condena o adultério (hétero) ou o sexo antes do casamento (hétero).

    Quer dizer que se alguém me perguntar na rua qual a posição da Bíblia sobre o homossexualismo e eu responder apenas a verdade: É PECADO! E um homossexual se sentir ofendido, posso ser preso? Se for esse o caso, talvez fosse mais interessante proibir a divulgação da Bíblia no Brasil, ou quem sabe processar o “autor”.

    Se um casal homossexual decidir se beijar dentro de uma igreja, e o pastor da igreja querer orientar esse casal de que aquele lugar não é apropriado para aquilo (da mesma forma que faria com um casal hétero) e o casal se sentir ofendido, o pastor deverá ser preso?

    Do jeito que andam as coisas, daqui a pouco vai ter uma polícia secreta gay, igual aos moldes da SS nazista.

    Espero que os srs. que se dizem favoráveis ao direito de expressão e liberdades individuais, não censurem esse meu email. Se for este o caso, apenas confirmará o que está por trás de tudo isso.

    • Marcelo Gerald disse:

      Will você dizer que alguém é contra a homossexualidade e não contra os homossexuais é meio estranho porque não há jeito de um homossexual deixar de sê-lo, o que a pessoa pode optar é por não praticar mais sexo, mas neste caso continuará homossexual e se tiver trejeitos continuará tendo e nada impedirá que esta mesma pessoa sofra um ataque homofóbico nas ruas, já que uma pessoa intolerante perceberá que é gay, não faz diferença neste caso se é celibatário ou não.
      Sua segunda questão está baseada numa grande distorção que foi propagada pela desinformação pregar o que está na Bíblia é um DIREITO, nosso país respeita a liberdade de crença e nenhuma lei poderá mudar isto , o que não pode ocorrer é uma pessoa alegar motivos religioso pra discriminar e dizer que homossexuais são doentes, avaliar como doença não pertence à religiões e sim pra psicologia e psiquiatria, se um religioso discriminar extrapolando o que está na Bíblia aí sim responderá por isto, portanto nada demais a luta LGBT não é contra religiões e sim contra a homofobia.
      No seu terceiro parágrafo você diz que um pastor não poderá orientar casais homossexuais que forem surpreendidos se beijando em uma igreja e isto não é verdade. Veja o que diz o PLC122:

      Parágrafo único: Incide nas mesmas penas aquele que impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público de pessoas com as características previstas no art. 1º desta Lei, sendo estas expressões e manifestações permitidas às demais pessoas.”
      O projeto é claro ao dizer que homossexuais podem se expressar afetivamente SOMENTE se heterossexuais puderem, a não ser que na sua igreja esteja acontecendo este tipo de coisa entre heteros, o que não parece apropriado você não tem com o que se preocupar .

      E sobre sua conclusão a liberdade de expressão não é absoluta ninguém pode ofender ou se expressar ferindo ou matando pessoas, as leis e a própria Constituição impõem limites e qualquer espaço tem regras, as igrejas tem as suas, os Estados e Municípios também e inclusive este espaço que estamos debatendo, se estivéssemos numa ditadura nem eu nem você poderia se expressar e certamente quem usasse a Internet estaria encrencado, mas imagine se alguém fosse até a sua igreja exigir do seu pastor o direito de profanar a Bíblia alegando a liberdade de expressão! Pois é liberdade existe, mas é a de pensamento, todos podem crer, o que não pode é desrespeitar o espaço do outro.
      Este espaço não vai se tornar um local de falsas acusações, de divulgação de mentiras e falácias

      • elcio lopes disse:

        Jamais eu teria tamanha paciência para explicar da mesma forma a um biltre o que ensinaste tão bondosamente. Minhas lisonjuras.

      • Isabela disse:

        Marcelo, não há como seu texto ficar melhor. Isso aí!

      • José Carlos disse:

        Perfeito seu comentário Marcelo! Eu acrescentaria apenas que uma pessoa emitir sua opinião sobre algo, sobre a homossexualidade, no caso, mesmo sendo contrária, não estaria ferindo a lei. O que fere a lei é a discriminação, a ofensa, a injúria, etc. Isto é que constitui crime. Não sou jurista, mas acho que se as pessoas vão a um templo que segue determinados princípios como os bíblicos; teoricamente deve se sujeitar a esses princípios, ou procure outra religião. Se um pastor prega baseado na Bíblia que o homossexualismo é pecado, ao meu ver não está desrespeitando a lei, mas se ele usar de termos preconceituosos e ofensivos ai sim, estaria cometendo um crime e deveria ser preso mesmo.

      • Larissa Mendes disse:

        Marcelo Gerald, concordo com você que há uma grande desinformação acerca do PLC122 tanto no meio cristão quanto no meio não-cristão. Na verdade, o brasileiro, no geral, não se interessa por leis, nem se esforçam para entendê-las. Aliás, se muitos cristãos realmente se atentassem e buscassem compreender o projeto de lei, muitos concordariam com ele. Sou evangélica, e,divergências religiosas a parte, gostaria de tirar uma dúvida. O art. 4 do PLC122 diz que será punido por crime de discriminação quando: Praticar o empregador, ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Concordo que em uma empresa, qualquer funcionário deve ser contratado por sua competência, independente da orientação sexual.Minha dúvida: caso eu queira contratar uma babá para meu filho, posso simplesmente não querer escolher um homossexual por alegar que minha crença não aprova??

        Outra dúvida, quanto a manifestação de afetividade (art. 8) pegando o gancho do seu comentário aí de cima. Na Igreja, não é permitido ninguém (homossexuais/hetero) se beijar, pois é um local de culto. Digamos que um casal de homossexual quebre a regra de conduta da igreja e são colocados pra fora… a igreja já está tão queimada… como provar que não é um caso de homofobia?? Em um tribunal, que possuem regras internas, se alguém desrespeiar ninguém fala nada, mas se for a igreja, vish rs

        Não quero gerar polêmica, nem que ninguém me xingue por ser evangélica, só quero esclarecer alguns pontos. No resto, aprovo o PLC 122.

        • Olá Larissa quanto a isso não tem o que se preocupar o discriminado sempre tem que provar aquilo que acusa. Não fosse assim todos negros quando são demitidos alegariam racismo e se isso acontecesses acabaria se voltando contra os próprios negros pois certamente haveria menos contratações.

          Local de culto não é local de namorar e isso vale pra todos, cada local tem uma regra e o PLC122 não tem esse alcance de impor nada à religiões.

      • sergio machado disse:

        o que entende por afetividade englobam a união religiosa? se não então deve ser colocado no texto, se sim as religiões estão corretas em protestarem contra a pl 122. essa acho que é a questão central uma vez que a união religiosa é permitida a casais heteros.

        • Sergio o PLC122 não trata de união civil nem religiosa, se não é esse o alvo da lei não precisa estar no texto, mas mesmo que fosse tanto a Constituição quanto o Código Civil dizem que o casamento é Civil, portanto nenhuma lei pode ditar normas para o religioso, a Constituição apenas diz que o casamento religioso será reconhecido no Civil, mas ativistas LGBTs não defendem obrigatoriedade de casamento em nenhuma religião, embora algumas já o façam.

    • Fagner disse:

      amigo, a bíblia é somente um livro e como tal aceita a interpretação do leitor, alguns leitores ja usaram ela pra justificar a escravidão, o holocausto, apedrejamento de mulheres adulteras e por aí vai(daria pra escrever um livro só com isso), hoje ela é usada pra disseminar a homofobia. como vc disse, se alguém te perguntar o que vc acha ou o que vc interpreta que a bíblia fala sobre a homosexualidade, vc pode simplesmente falar, o que a lei proíbe é que eu ou qualquer outro que não compartilha de sua opinião ouça isso todos os dias na tv, nas ruas e em todos os outros lugares.

    • elcio lopes disse:

      Logo se vê que o senhor sequer deu-se ao trabalho de LER o artigo no qual subscreveu tão imbecilmente tal desmesura. Poupe-nos de solilóquios mal acabados e deficientes de embasamento filosófico. Poupe-nos de vossa ignorância cível. Poupe-nos, sobretudo, deste discurso prosélito, que por tão intimamente conhecermos e dele nos enfadarmos, dispensamos solenemente.

    • Marcelo disse:

      Pensa filhote!!! Se alguém te perguntar a posição da Bíblia em relação ao estupro de virgens. Vais dizer que a Bíblia diz que o cabra tem que se casar com a coitada. Vais dizer que se a estuprada não fez ouvirem-se seus gritos, deverá ser apedrejada? Com que critérios escolhes o que é certo e errado na Bíblia?

    • Marcelo disse:

      Amigo, você tem que entender que o Brasil é um Estado laico. Você pode pregar qualquer coisa, de qualquer livro, de qualquer religião, religioso ou não desde que esteja de acordo com as leis -- laicas -- do nosso país.

      As leis servem, entre outras coisas, para promover o bem estar social, garantindo que cada um tenha direitos individuais. Todos podem usar desses direitos desde que não interfiram no direito individual de outro. Você, não pode usar da sua liberdade de expressão para ofender outra pessoa que tem o direto de não ser ofendida.
      E dizer que a homossexualidade é “errada” é ofensa a um homossexual. Já que a orientação sexual é uma caracerística fundamental de um ser, define várias relações interpessoais, define a sua vida e está, portanto, relacionada a sua existêcia, dizer que essa sua caracterísitca é “errada” tem um peso forte sobre um indivíduo sendo um atentado a sua existência -- já que a homossexualidade é uma caratérística natural de alguns seres-humanos.

  5. MARCELO SANTOS disse:

    Se todos os Direitos fossem respeitados não haveria a necessidade de uma Lei,como essa.
    Sou favorável a essa Lei pelo fato de buscar uma Sociedade melhor para todos!
    Muito bonita sua iniciativa!!!!

  6. Marcia Oliveira - Advogada - SP disse:

    A tolerância, o respeito e a dignidade humana são valores que devem ser prioridades numa sociedade democrática para se alcançar a paz social.

    Sou a favor do PLC 122 como forma justa desses valores não serem vilipendiados.

    O projeto de lei não visa proibir a liberdade de expressão, mas responsabilizar àqueles que não toleram a diferença. É necessário que haja mais esclarecimento à população para que não misture alhos com bugalhos.

    Parabéns pela iniciativa.

  7. Luiz Regis disse:

    Dr. Paulo,
    Suas palavras bem elucidam minha opinião. O PLC 122 deve ser aprovado necessariamente. Vivemos num Estado Democrático de Direito, cujo papel do Estado é trabalhar em prol da felicidade de cada cidadão individualmente, conforme nossos princípios morais e jurídicos. O fundamento da República, qual seja, “a dignidade da pessoa humana”, autoriza a ação positiva do Estado coibindo ações violentas e enormemente ofensivas. A questão da orientação sexual pertence -- tão somente -- à intimidade de cada pessoa. Não há que se falar em tolerar ou não tolerar. Ninguém precisa da autorização de terceiros ou de doutrinas religiosas atrasadas e irracionalmente fundamentalistas para viver plenamente a sua dignidade e a sua intimidade.
    Um abraço e parabéns!
    Pax Domini.
    Luiz Regis -- Ribeirão Preto -- SP -- Brasil -- Igreja Anglicana do Brasil

  8. Benjamin Bee disse:

    Exato, preciso, conciso e ao meu ver irretocável. É um texto de fácil leitura e compreensão. Mutio bom! Adorei ter lido.

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